Cobertura do Lebriquizumabe (Ebglyss) pelo plano de saúde: o que você precisa saber

Introdução

O Lebriquizumabe, também conhecido pela marca Ebglyss, é um medicamento inovador aprovado pela ANVISA para o tratamento de dermatite atópica moderada a grave, especialmente em pacientes que não responderam adequadamente aos tratamentos convencionais tópicos ou sistêmicos.

Apesar de sua eficácia comprovada nos estudos clínicos e da aprovação regulatória, muitos planos de saúde têm negado a cobertura do Lebriquizumabe, sob a justificativa de que o medicamento é de uso domiciliar e não consta no rol de procedimentos obrigatórios da ANS.

O que é o Lebriquizumabe e para que serve?

O Lebriquizumabe é um anticorpo monoclonal direcionado à interleucina-13 (IL-13), que desempenha papel central na inflamação da pele característica da dermatite atópica grave.

A medicação é administrada por injeção subcutânea mensal e mostrou resultados significativos na redução de sintomas como coceira intensa, vermelhidão e inflamação da pele, melhorando a qualidade de vida de pacientes que não respondem a outras terapias.

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica e recorrente que impacta severamente o bem-estar físico, psicológico e social dos pacientes, especialmente quando os sintomas se mantêm graves e não controlados.

O plano de saúde deve fornecer o Lebriquizumabe?

Cobertura obrigatória quando indicado

Sim, havendo prescrição médica com justificativa técnica, o plano de saúde deve custear o Lebriquizumabe quando ele for a opção indicada para controlar de maneira eficaz a dermatite atópica grave do paciente.

A Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/98) exige que os planos garantam acesso aos tratamentos necessários, desde que:

• a doença esteja coberta;

• o medicamento tenha registro sanitário na ANVISA;

• haja indicação médica fundamentada.

O Lebriquizumabe atende a esses requisitos, pois possui aprovação da ANVISA para uso no Brasil.

Por que os planos negam cobertura?

Os planos frequentemente negam a cobertura do Lebriquizumabe argumentando que:

• o medicamento não está no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS;

• se trata de remédio de uso domiciliar;

• existem tratamentos alternativos menos caros.

No entanto, esses argumentos não podem prevalecer quando o tratamento é indicado clinicamente e essencial para o paciente, com respaldo científico e registro sanitário.

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O rol da ANS é obrigatório ou apenas indicativo?

O rol da ANS é considerado exemplificativo, não exaustivo, especialmente quando se trata de tecnologias inovadoras ou medicamentos mais recentes, como o Lebriquizumabe.

Isso significa que o plano de saúde pode ser obrigado a fornecer um medicamento mesmo que ele ainda não esteja oficialmente incluído no rol, desde que:

• haja prescrição médica clara;

• exista comprovação técnica e científica de sua eficácia para aquele caso;

• o paciente tenha esgotado opções terapêuticas anteriores.

Nesse contexto, diversas decisões judiciais têm condenado operadoras a cobrir medicamentos domiciliares essenciais, incluindo aqueles fora do rol da ANS, quando devidamente indicados.

O que fazer se o plano de saúde negar

Solicitar a justificativa por escrito: O plano de saúde deve fornecer um documento detalhado explicando os motivos da negativa, conforme as regras estabelecidas.

Pedir um parecer médico detalhado: Incluindo histórico clínico, CID, laudos e exames que comprovem a necessidade da medicação. Além de demonstrar os riscos caso o tratamento não seja realizado. Em caso de urgência, peça para o médico deixar bem claro a situação de urgência ou emergência.

Buscar orientação jurídica: Um advogado especializado em Direito à Saúde pode ingressar com uma ação judicial para garantir o fornecimento do tratamento.​ A atuação de um advogado especializado nessa área é fundamental. Esse profissional possui o conhecimento técnico e prático necessário para interpretar corretamente o contrato do plano de saúde, identificar cláusulas abusivas e apresentar a melhor estratégia jurídica para garantir o tratamento. 

Conclusão

O Lebriquizumabe representa uma opção terapêutica importante para pacientes com dermatite atópica moderada a grave, especialmente quando outras terapias falham. Apesar de não constar automaticamente no rol da ANS, sua aprovação pela ANVISA e a relevância clínica tornam possível exigir a cobertura pelo plano de saúde sempre que houver indicação médica fundamentada.

A negativa com base apenas na ausência no rol da ANS ou no fato de ser uso domiciliar pode ser considerada abusiva e contestada judicialmente.

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