Internação domiciliar negada pelo Plano de Saúde: Saiba quais são os seus direitos

Introdução

A internação domiciliar, conhecida como home care, é uma alternativa segura e humanizada à internação hospitalar, especialmente para pacientes idosos, acamados ou com doenças crônicas.

Apesar de sua eficácia e, muitas vezes, menor custo, planos de saúde frequentemente negam o home care, alegando ausência de previsão contratual ou caráter facultativo.

A Justiça, no entanto, tem entendimento firme: quando há cobertura hospitalar, indicação médica, a negativa é ilegal.

O que é internação domiciliar (home care)

O home care consiste na continuidade da internação hospitalar no domicílio do paciente, com:

• equipe multiprofissional;

• enfermagem;

• medicamentos;

• equipamentos;

suporte clínico contínuo.

Não se trata de cuidado domiciliar simples, mas de internação substitutiva ao hospital.

Como solicitar o direito ao home care junto ao plano de saúde?

O primeiro passo para pleitear a internação domiciliar é contar com uma prescrição médica detalhada, que descreva de forma precisa o quadro clínico do paciente, as doenças diagnosticadas e a real necessidade do home care.

É fundamental que o médico assistente especifique, por exemplo, a quantidade de sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, os medicamentos em uso, o período e a carga horária de enfermagem, bem como todos os equipamentos indispensáveis ao tratamento domiciliar.

Quanto mais completo e bem fundamentado for o relatório médico, maiores são as chances de o Judiciário compreender a urgência e a complexidade do caso, permitindo uma decisão mais célere que determine ao plano de saúde o custeio integral do tratamento indicado.

Os equipamentos necessários ao home care devem ser custeados pelo plano de saúde?

Sim. Quando há indicação médica para a internação domiciliar, o plano de saúde também é responsável pelo fornecimento dos equipamentos indispensáveis ao tratamento do paciente.

O home care não se limita apenas à presença de profissionais de saúde. Trata-se de um conjunto estruturado de serviços e recursos, que inclui assistência de enfermagem, sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, fornecimento de medicamentos de uso contínuo e, igualmente, todos os equipamentos necessários para garantir a continuidade e a segurança do tratamento no domicílio.

Em termos práticos, a internação domiciliar corresponde à transferência do ambiente hospitalar para a residência do paciente, mantendo-se a supervisão médica e a oferta dos cuidados de saúde indicados, por meio de uma equipe multidisciplinar.

Esse tipo de tratamento é comumente indicado a pacientes com doenças crônicas ou em recuperação prolongada, quando a permanência no hospital deixa de ser necessária, mas o acompanhamento clínico contínuo ainda se mostra essencial.

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Argumentos usados pelos planos para negar home care

As operadoras costumam alegar:

• ausência de previsão contratual;

• tratamento domiciliar não obrigatório;

• custo elevado;

• que o paciente pode receber cuidados familiares.

Esses argumentos não prevalecem na Justiça.

O que fazer se o plano de saúde negar tratamento

Solicitar a justificativa por escrito: O plano de saúde deve fornecer um documento detalhado explicando os motivos da negativa, conforme as regras estabelecidas.

Pedir um parecer médico detalhado: Solicite ao seu médico um laudo detalhado, incluindo histórico clínico, CID, laudos e exames que comprovem a necessidade da internação domiciliar. Além de demonstrar os riscos caso o tratamento não seja realizado. 

Buscar orientação jurídica: Um advogado especializado em Direito à Saúde pode ingressar com uma ação judicial para garantir o fornecimento do tratamento.​ A atuação de um advogado especializado nessa área é fundamental. Esse profissional possui o conhecimento técnico e prático necessário para interpretar corretamente o contrato do plano de saúde, identificar cláusulas abusivas e apresentar a melhor estratégia jurídica para garantir o tratamento. 

Conclusão

A internação domiciliar é direito do paciente quando indicada como substituição à internação hospitalar. A negativa do plano de saúde, nesses casos, é considerada abusiva e ilegal.

Com documentação médica adequada, a Justiça costuma garantir rapidamente o acesso ao home care.

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