Seu Plano de Saúde negou um tratamento? Saiba como agir imediatamente

O Plano de saúde pode simplesmente negar um tratamento?

Não necessariamente. A existência de uma negativa não significa, por si só, que ela seja legal. É preciso analisar o que foi negado, por qual motivo, qual é a indicação médica, qual a cobertura contratada, a regulamentação aplicável e as circunstâncias clínicas do paciente.

Um plano pode, por exemplo, apresentar como justificativa:

• ausência do procedimento no Rol da ANS;

• ausência de cobertura contratual;

• carência;

• doença preexistente;

• falta de indicação prevista em diretriz;

• utilização de determinado material ou medicamento;

• alegação de tratamento experimental.

Cada uma dessas situações exige uma análise própria. Por isso, não é recomendável concluir imediatamente que toda negativa é abusiva, mas também não se deve presumir que a justificativa apresentada pela operadora encerra a questão.

1. Peça a negativa por escrito

Essa deve ser uma das primeiras providências. Se o plano informar que não irá autorizar o tratamento, solicite que a negativa seja formalizada, com a indicação clara do motivo.

Isso é importante porque uma conversa telefônica na qual o atendente simplesmente afirma que “o plano não cobre” não fornece, necessariamente, elementos suficientes para compreender a razão da recusa. A documentação da negativa pode ser fundamental tanto para uma reclamação administrativa quanto para eventual ação judicial. 

Dica prática: se a negativa foi apresentada por telefone, anote o protocolo, data, horário e, se possível, solicite o documento ou registro formal da recusa.

2. Guarde o número do protocolo

Não descarte os protocolos de atendimento. Eles ajudam a demonstrar quando o pedido foi realizado, qual serviço foi solicitado, quando ocorreu a negativa, quais informações foram fornecidas pela operadora e quais providências foram ou não tomadas.

Também é recomendável guardar protocolos anteriores relacionados ao mesmo tratamento.

Em eventual discussão administrativa ou judicial, essa sequência de atendimentos pode ajudar a reconstruir o que aconteceu.

3. Peça ao médico um relatório detalhado

O relatório médico pode ser uma das principais provas em uma discussão envolvendo negativa de cobertura. Não basta, em muitos casos, apenas apresentar uma receita.

É importante que o médico explique, conforme as particularidades do paciente, como diagnóstico, quadro clínico, tratamento indicado, finalidade do tratamento, justificativa da escolha terapêutica, riscos da não realização e consequências de eventual atraso. 

Descubra se o caso é urgente ou emergencial. Esse ponto pode mudar completamente a estratégia. Converse para o médico deixar claro a urgência ou emergência, quando existentes, alternativas consideradas, quando relevantes.

Se o médico indicar que o paciente precisa realizar determinado procedimento imediatamente ou que a demora pode provocar agravamento relevante do quadro, essa informação deve ser devidamente documentada.

Quanto mais clara estiver a necessidade médica, mais fácil será compreender a situação sob o ponto de vista técnico e jurídico.

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4. Não espere dias se o tratamento não puder esperar

Esse talvez seja o ponto mais importante deste artigo.

Existe uma diferença enorme entre: “O plano negou uma cirurgia que será realizada daqui a dois meses.” e “o plano negou um tratamento que o médico afirma precisar ser iniciado imediatamente.”

No segundo cenário, esperar indefinidamente por uma resposta administrativa pode não ser uma opção segura.

A necessidade de agir rapidamente pode justificar a avaliação de medidas judiciais de urgência. Quando presentes os requisitos legais, pode ser formulado um pedido de tutela de urgência para que a operadora seja obrigada a autorizar ou custear o tratamento.

5. E se o tratamento não estiver no Rol da ANS?

Essa é uma das justificativas mais comuns utilizadas pelas operadoras. Mas dizer simplesmente que determinado tratamento “não está no Rol” não encerra necessariamente a discussão.

A Lei nº 14.454/2022 estabeleceu critérios para permitir a cobertura de exames e tratamentos que não estejam previstos no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Portanto, a análise deve considerar os critérios legais e as características concretas do tratamento prescrito.

O Rol da ANS é extremamente relevante, mas sua ausência não deve ser tratada de forma isolada, sem verificar a legislação aplicável ao caso.

6. E se o plano negar um medicamento, material ou equipamento?

A negativa não precisa envolver necessariamente uma cirurgia inteira.

Também é possível haver recusa de medicamento, material cirúrgico, prótese, órtese, terapia, exame ou um procedimento específico.

Isso acontece, por exemplo, quando o plano autoriza uma cirurgia, mas recusa determinado material indicado pelo médico como necessário para sua realização. Nessas situações, é importante analisar se o item negado é realmente indispensável ao tratamento e qual foi a justificativa utilizada pela operadora.

Em situações urgentes, dependendo do caso, a discussão pode inclusive envolver posteriormente o reembolso de valores que o paciente precisou desembolsar para viabilizar o tratamento.

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7. Quando é possível entrar com uma ação judicial?

Não existe uma regra segundo a qual toda negativa deve necessariamente ser levada à Justiça. 

Porém, a ação judicial pode ser uma alternativa quando: a negativa parece indevida, o tratamento é necessário, a operadora não resolve administrativamente, existe urgência, há risco de agravamento do quadro, o paciente precisa iniciar rapidamente o tratamento, a operadora mantém uma recusa mesmo diante da documentação médica.

Em situações urgentes, pode ser formulado pedido de tutela de urgência, buscando uma decisão judicial antes do término do processo.

8. O que levar ao advogado em caso de negativa?

Se você precisar buscar orientação jurídica, quanto mais completa estiver a documentação, melhor. Separe:

Documentos pessoais: RG, CPF e comprovante de residência.

Documentos do plano: carteirinha, contrato, se disponível e comprovantes de pagamento das mensalidades.

Documentação médica: relatório médico, prescrição, exames, laudos, pedido do procedimento e justificativa de urgência, quando houver.

Documentação da negativa: negativa formal, protocolos, e-mails, mensagens, prints, gravações ou outros registros disponíveis.

Se houve pagamento particular: notas fiscais, recibos, comprovantes de transferência, comprovantes de PIX, contratos e termos de confissão de dívida.

Conclusão

Receber uma negativa do plano de saúde não significa que o paciente deve simplesmente aceitar a decisão.

As primeiras providências são importantes: peça a negativa por escrito, guarde o protocolo, reúna a documentação médica e verifique a urgência do tratamento. Se a operadora não resolver o problema, o beneficiário poderá avaliar uma reclamação perante a ANS e, conforme as circunstâncias, buscar orientação jurídica para verificar a possibilidade de uma medida judicial.

Em situações urgentes, a rapidez é especialmente importante. O objetivo não é apenas discutir uma questão contratual, mas garantir que o paciente tenha acesso ao tratamento de que necessita.

Bianca Ribeiro
Autora - OAB: 71581 - DF

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