Quanto tempo demora uma Liminar em casos de Saúde?

Entenda os seus direitos e o que fazer após uma negativa de custeio.

Quando o plano de saúde nega um tratamento, medicamento, cirurgia ou exame essencial, a primeira dúvida do paciente costuma ser: “Se eu entrar na Justiça, quanto tempo isso vai demorar?”.

Em demandas envolvendo saúde, o Judiciário reconhece que o tempo pode significar vida, agravamento da doença ou perda de chance terapêutica. Por isso, existe a possibilidade de concessão de liminar, ou seja, uma decisão provisória, rápida e urgente, que antecipa o direito do paciente antes do fim do processo.

Neste artigo, você vai entender quanto tempo costuma demorar uma liminar em casos de saúde, o que influencia esse prazo e como aumentar as chances de uma decisão rápida.

O que é uma Liminar em casos de saúde?

A liminar é uma decisão judicial concedida no início do processo, antes da oitiva da parte contrária, quando há:

• Urgência comprovada;
• Risco de dano irreparável ou de difícil reparação;
• Probabilidade do direito do paciente.

Em ações contra planos de saúde, a liminar é usada para garantir o tratamento negado pelo convênio, de forma imediata. Seja o medicamento de alto custo negado, uma cirurgia de urgência ou emergência, internação ou manutenção de home care, entre outros.

Quanto tempo, na prática, demora uma liminar em saúde?

Não existe um prazo fixo em lei, mas a prática forense mostra padrões claros.

Em média, a liminar pode ser concedida em:

• Algumas horas, em casos gravíssimos (risco de morte, UTI, câncer avançado, cirurgias urgentes);
• 24 horas, quando a urgência está bem demonstrada;
• 48 horas, na maioria dos casos bem instruídos;
• De 72 horas ou mais, em situações menos urgentes ou quando o juiz solicita alguma complementação.

Em demandas de saúde, especialmente quando a situação é urgente, é comum que o juiz analise o pedido no mesmo dia do protocolo, principalmente quando os documentos médicos são claros.

O que faz a liminar sair mais rápido?

Alguns fatores são decisivos para a rapidez da decisão:

1. Relatório médico bem fundamentado: O juiz não possui conhechimento médico, e por isso, o relatório deve explicar de forma clara:

O diagnóstico, urgência da situação (se houver); o risco da demora na realização da cirurgia ou tratamento; possíveis consequências da não realização do tratamento; se possível, a inexistência de alternativa terapêutica adequada.

Quanto mais técnico e direto o relatório, mais rápida tende a ser a decisão.

2. Prova da negativa do plano de saúde: Vale lembrar que o Plano de Saúde é obrigado a fornecer a negativa por escrito, de acordo com as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

3. Demonstração do risco da demora: é essencial comprovar que esperar o fim do processo pode causar: agravamento da doença; progressão irreversível; perda de chance terapêutica; sofrimento intenso; risco à vida.

Esse ponto é central para o deferimento rápido da liminar.

4. Atuação de advogado especializado em Direito da Saúde: A forma como a ação é estruturada faz diferença. O advogado especializado conhece toda a legislação específica dos Planos de Saúde, consegue elaborar petições fundamentadas, com jurisprudência adequada e em tempo hábil, o que  facilita a análise imediata pelo juiz.

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A decisão liminar permanece até o final do processo?

Na maioria dos casos sim, quando o direito do paciente ao tratamento é demonstrado, a urgência, e a negativa indevida do Plano de Saúde, a liminar permanece válida até a sentença final. Especialmente quando a peça é bem fundamentada.

Se houver outra decisão que revogue a liminar, o advogado ainda possuí a possibilidade do agravo de instrumento, um recurso para demonstrar as razões da permanência da liminar. Entretanto, em regra, quando a peça é fundamentada, a Justiça entende pelo direito do paciente.  

Conclusão:

Em casos de saúde, a liminar é um instrumento essencial para proteger o paciente contra negativas abusivas e garantir tratamento imediato. Quando bem instruído, o pedido pode ser analisado em poucas horas ou em até 48 horas, assegurando o direito à saúde antes que o quadro clínico se agrave. Por isso, diante de uma negativa urgente, buscar orientação jurídica especializada faz toda a diferença.