Plano de saúde deve cobrir a embolização de Mioma Uterino?

Entenda os seus direitos e o que fazer após uma negativa de custeio.

Os miomas uterinos são uma condição bastante comum entre mulheres em idade reprodutiva e podem causar sintomas significativos, como dor pélvica, sangramento intenso, anemia e impacto direto na qualidade de vida. Em muitos casos, a embolização de mioma uterino é indicada como alternativa moderna, eficaz e menos invasiva do que cirurgias tradicionais.

Apesar disso, não é raro que planos de saúde neguem a cobertura do procedimento, alegando ausência no Rol da ANS ou defendendo a realização de cirurgia mais invasiva. O que muitas pacientes não sabem é que essa negativa nem sempre é legal.

Neste artigo, explicamos quando a embolização de mioma uterino deve ser custeada pelo plano de saúde e como agir diante da recusa.

O que é a embolização de mioma uterino?
Quando a embolização de mioma uterino é indicada?
O Plano de Saúde deve custear a embolização de mioma uterino?
É possível conseguir uma liminar para realizar a embolização de mioma uterino?
Recebi uma negativa de custeio do Plano, e a gora? 

O que é a embolização de mioma uterino?

A embolização de mioma uterino é um procedimento minimamente invasivo, realizado por médico especialista em radiologia intervencionista, que consiste na obstrução seletiva dos vasos sanguíneos que nutrem os miomas, levando à sua redução ou controle dos sintomas.

Entre as principais vantagens do procedimento estão:

• Menor risco cirúrgico e preservação do útero;
• Recuperação mais rápida e a redução de dor e sangramento;
• Alternativa eficaz à cirurgia convencional.

Justamente por essas características, a embolização é frequentemente indicada quando a cirurgia apresenta riscos ou quando a paciente deseja evitar procedimentos mais invasivos.

Quando a embolização de mioma uterino é indicada?

A indicação da embolização depende da avaliação médica individualizada, mas é comum em casos de:

• Miomas sintomáticos;
• Sangramento uterino intenso;
• Dor pélvica crônica;
falha ou contraindicação a tratamentos medicamentosos;
desejo de evitar histerectomia ou outras cirurgias invasivas.

A prescrição médica fundamentada é o principal elemento para definir a necessidade do procedimento.

O Plano de Saúde é obrigado a custear a Embolização do Mioma Uterino?

Sim, quando houver indicação médica detalhada, o Plano é obrigado a custear a cirurgia de embolização.

Vale lembrar que o Rol da ANS é apenas uma referência, e não pode limitar o melhor tratamento ao paciente. Ou seja, permitindo a cobertura de procedimentos indicados por médico mesmo fora do Rol, desde que haja: 

Evidência científica da eficácia;
• Recomendação por órgãos reconhecidos (Conitec, entidades internacionais);
• Indicação por médico assistente. 

A cirurgia robótica cumpre esses requisitos, sendo reconhecida como eficaz e segura, e portanto, deve ser custeada quando indicada pelo médico assistente. E ainda, o médico que acompanha o seu caso é o mais indicado para estabelecer o tipo de terapêutica, como também os materiais necessários para realização da cirurgia:

“O STJ possui entendimento de que o plano de saúde pode estabelecer as doenças que terão cobertura, mas não o tipo de terapêutica indicada por profissional habilitado na busca da cura. (…)” Trecho extraído do AgInt no REsp 1453763/ES, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA (DJe 15/06/2020).

Ficou com alguma dúvida?

Converse com o nosso time de especialistas no assunto.

É possível conseguir liminar para realizar a embolização de mioma uterino?

Sim. Em casos de negativa indevida, é comum que o Judiciário conceda liminar para autorizar a embolização, especialmente quando:

• Há sangramento intenso ou dor significativa;
• Existe risco de agravamento do quadro;
• A cirurgia apresenta riscos maiores;
• A demora pode causar prejuízos à saúde da paciente. 

A decisão urgente do juiz pode determinar o custeio do procedimento pelo Plano de Saúde imediatamente. Decisões como essa, que envolvem a saúde do paciente, quando o processo é bem fundamentado podem ser deferidas em regra, de 24 horas até 72 horas.

Recebi uma negativa de custeio do Plano, e agora?

Infelizmente não é raro que os Planos de Saúde neguem tratamentos que são essenciais e devem ser custeados, obrigatoriamente. Diante dessa situação, é importante receber uma orientação adequada e seguir os passos: 

1. Tenha em mãos um relatório médico assertivo e detalhado, com laudos e exames médicos que demonstrem a necessidade do procedimento indicado pelo médico, ou seja, a cirurgia robótica. 

2Obtenha a negativa de cobertura do tratamento por escrito. Vale lembrar que o plano de saúde é obrigado a fornecer a negativa por escrito, de acordo com as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).  

• A justificativa de que o procedimento não se encontra no Rol da ANS não é suficiente para que o plano deixe de custear. 

3. Com os documentos em mãos, procure um advogado especialista em Direito Médico e da Saúde, que saberá atuar com rapidez e entendendo as necessidades do seu caso. A atuação do profissional é realizada com urgência para garantir os seus direitos e reverter a decisão da operadora do Plano de Saúde para garantir que todo o tratamento seja custeado.

Conclusão:

A embolização de mioma uterino é um procedimento moderno, eficaz e menos invasivo, amplamente utilizado no tratamento de miomas sintomáticos. Quando há indicação médica e necessidade clínica, o plano de saúde deve custear o procedimento, ainda que não conste expressamente no Rol da ANS. A negativa, nesses casos, é considerada abusiva e pode ser revertida judicialmente.

Fale com um Advogado

Se preferir, preencha o formulário abaixo, nossa equipe de atendimento retornará a sua mensagem o mais breve possível. Lembre-se de preencher todos os campos abaixo.

Contact Form Demo (#3)